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Os Três Mosqueteiros Paris, 1625 · Dumas, 1844

Alexandre Dumas

Os TrêsMosqueteiros

Um por todos, todos por um.

Um gascão de dezoito anos chega a Paris com quinze escudos, um cavalo amarelo e uma carta que lhe será roubada no caminho. Este é o portal da sua história: o romance anotado, a cidade de 1625 e a verdade por trás dos heróis.

Começar pelo capítulo I
Gravura: d’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis erguem as espadas num juramento ao redor de uma mesa, com garrafas vazias pelo chão.
O juramento. Gravura de Maurice Leloir, 1894.
Fotografia de Alexandre Dumas por Nadar: um homem corpulento, de cabelos crespos, braços cruzados sobre o peito.
Alexandre Dumas fotografado por Nadar, c. 1855.

Um folhetim que virou lenda

Em 14 de março de 1844, o jornal parisiense Le Siècle publicou o primeiro capítulo de Les Trois Mousquetaires. Os leitores passaram os quatro meses seguintes esperando o jornal do dia para saber o destino de um gascão impetuoso e de três soldados que se escondiam atrás de nomes de guerra.

Dumas não inventou d’Artagnan. Encontrou-o nas Memórias do senhor d’Artagnan, um livro de 1700 em que Gatien de Courtilz de Sandras romanceava a vida de um capitão de mosqueteiros real. Com o historiador Auguste Maquet, que pesquisava e fazia os primeiros rascunhos, Dumas transformou essa matéria-prima num dos romances mais lidos da literatura.

“Tous pour un, un pour tous.”

O lema dos quatro, no capítulo IX

A história continuou em mais dois livros e atravessa quase cinquenta anos: do jovem que chega a Paris em 1625 ao marechal que morre no cerco de Maastricht.

1844
Os Três Mosqueteiros: a juventude, 1625 a 1628.
1845
Vinte Anos Depois: a Fronda e a Inglaterra de Cromwell.
1847
O Visconde de Bragelonne: Luís XIV e o homem da máscara de ferro.

Quatro espadas, quatro homens reais

Os quatro heróis de Dumas existiram. Eram fidalgos do sudoeste da França, recrutados para a companhia de mosqueteiros do senhor de Tréville.

  1. D’Artagnan chega a Meung montado no seu pangaré amarelo, observado pelos moradores.

    Gascão, orgulhoso, sem dinheiro e ofendido por qualquer coisa. Chega a Paris querendo ser mosqueteiro e, na mesma manhã, marca três duelos com os três homens que se tornarão seus melhores amigos.

    Na história: Charles de Batz de Castelmore (c. 1611–1673), capitão-tenente dos mosqueteiros de Luís XIV, morto no cerco de Maastricht. Ler mais.

  2. Athos largado numa poltrona, ergue um copo de vinho.

    O mais velho e o mais nobre. Bebe para esquecer um segredo: foi casado com uma mulher marcada pelo carrasco. É o centro moral do grupo e quase um pai para d’Artagnan.

    Na história: Armand de Sillègue d’Athos d’Autevielle (c. 1615–1643), parente de Tréville, morto em Paris depois de um duelo. Ler o dossiê.

  3. Porthos exibe seu boldrié bordado a ouro diante de outros mosqueteiros.

    Forte, vaidoso, generoso e guloso. Exibe um boldrié bordado a ouro na frente, mas a parte de trás, escondida pela capa, é de couro simples.

    Na história: Isaac de Portau (1617–1712), também mosqueteiro de Tréville, que viveu bem mais que o personagem. Ler mais.

  4. D’Artagnan pisa num lenço que Aramis tenta esconder, diante de outros mosqueteiros.

    Elegante, discreto e dividido entre a espada e a batina. Tem amores secretos na corte e uma ambição que o levará, no último livro, a geral dos jesuítas.

    Na história: Henri d’Aramitz (c. 1620–1674), abade leigo de Aramits, no Béarn, primo de Tréville. Ler mais.

O romance e a história

Dumas comprime quatro anos de política real em aventura. Onde os dois relatos se tocam, há uma ✠.

abril

A chegada a Meung

D’Artagnan é humilhado por um desconhecido e perde a carta para Tréville.

dias depois, em Paris

Os Carmes-Déchaux

Três duelos marcados viram uma batalha, lado a lado, contra os guardas do Cardeal.

outono

✠ Os agulhetes da Rainha

Ana d’Áustria dá a Buckingham doze agulhetes de diamante. D’Artagnan vai a Londres buscá-los.

1625
desde 1624

Richelieu no poder

O cardeal entra no Conselho do Rei e logo passa a dirigi-lo.

maio e junho

Buckingham em Paris ✠

O duque vem buscar Henriqueta Maria, noiva de Carlos I. Em Amiens, sua corte ousada à rainha Ana vira escândalo. É a semente real dos agulhetes.

O romance salta este ano.

1626
fevereiro

O édito contra os duelos

Duelar passa a ser crime punido com a morte. É a lei que os mosqueteiros desafiam a cada capítulo.

agosto

A conspiração de Chalais

Um complô contra Richelieu termina com a decapitação do conde de Chalais em Nantes.

verão

✠ O exército diante de La Rochelle

D’Artagnan, agora nos guardas, escapa de dois atiradores pagos por Milady.

inverno

O Pombal Vermelho

Numa estalagem, Athos ouve Richelieu encomendar a Milady a morte de Buckingham.

1627
junho

Montmorency-Bouteville executado

O duelista mais famoso da França é decapitado por desafiar o édito.

julho a novembro

Buckingham na ilha de Ré ✠

A frota inglesa desembarca para socorrer os protestantes e é repelida. O cerco de La Rochelle começa.

primavera

O almoço no bastião Saint-Gervais

Os quatro apostam que conseguem almoçar uma hora num bastião sob fogo inimigo. Ganham.

agosto

✠ Felton e Buckingham

Prisioneira na Inglaterra, Milady seduz o oficial puritano Felton e o leva a apunhalar o duque.

o desfecho

Béthune e Armentières

Milady envenena Constance Bonacieux. Os quatro a julgam à noite, à beira do rio Lys.

1628
23 de agosto

Buckingham assassinado ✠

John Felton, um oficial ressentido, apunhala o duque em Portsmouth. Ninguém o mandou: agiu sozinho.

28 de outubro

La Rochelle se rende

Isolada por um dique de mais de um quilômetro, a cidade capitula depois de catorze meses de fome.

Paris, vista em 1615

A planta de Matthäus Merian mostra a cidade dez anos antes da chegada de d’Artagnan. Na gravura, o leste fica no alto: o Sena desce do topo para a parte de baixo da imagem.

Planta de Paris em vista de pássaro gravada por Matthäus Merian em 1615, com o Sena, a Île de la Cité, o Louvre e os subúrbios.

Passe o cursor sobre a planta para usar a lupa.Arraste a planta para os lados para explorar. Merian, Le plan de la ville, cité, université et fauxbourgs de Paris, 1615 (fac-símile de 1908).

O Louvre

Margem direita, à beira do Sena

A residência de Luís XIII e de Ana d’Áustria. É no Louvre que o Rei passa em revista os mosqueteiros de Tréville e que a Rainha entrega em segredo a Buckingham os agulhetes que d’Artagnan terá de trazer de volta de Londres.

O Cardeal de três faces

Philippe de Champaigne pintou Richelieu de frente e de perfil para que um escultor em Roma fizesse seu busto. Dumas também o mostrou só de um lado.

Pintura com três retratos do cardeal de Richelieu, de perfil esquerdo, de frente e de perfil direito, com o barrete vermelho.
Philippe de Champaigne, Triplo retrato do cardeal de Richelieu, c. 1642. National Gallery, Londres.
No romance

O inimigo íntimo

O Richelieu de Dumas é o grande manipulador: comanda Milady e Rochefort, persegue a Rainha e transforma um caso de diamantes numa questão de Estado. No fim, porém, reconhece o valor de d’Artagnan e lhe entrega a patente de tenente.

Na história

O construtor do Estado

Principal ministro de 1624 a 1642, Richelieu tirou o poder militar dos protestantes, enfrentou os Habsburgo, fundou a Academia Francesa em 1635 e deu à França uma marinha permanente. Para ele, os duelos eram uma sangria da nobreza.

Ler mais sobre Richelieu →

Milady, a flor-de-lis

Anne de Breuil, Lady de Winter, condessa de La Fère. Bonita, inteligente e implacável, é a agente secreta do Cardeal e a maior vilã do romance.

D’Artagnan descobre o seu segredo por acaso: no ombro dela há uma flor-de-lis gravada a ferro, a marca que o carrasco imprimia nos criminosos. Athos reconhece a marca. Anos antes, tinha se casado com aquela mulher.

Ela envenena Constance, manda matar Buckingham e foge. Os quatro a alcançam em Armentières, onde é julgada à noite e entregue ao carrasco de Lille.

Ler a história completa de Milady →

Milady se debate enquanto d’Artagnan descobre a flor-de-lis marcada em seu ombro.
A descoberta da flor-de-lis.
O conde de La Fère pendura a esposa num galho de árvore.
O conde de La Fère e a esposa, anos antes do romance.
À beira de um rio, o carrasco ergue a espada enquanto os mosqueteiros observam de joelhos.
A execução, à beira do Lys.

As pranchas de Leloir

Maurice Leloir estudou roupas, armas e interiores do século XVII para ilustrar a edição de luxo de Calmann-Lévy, em 1894. Suas gravuras fixaram a imagem dos mosqueteiros até hoje.

O velho d’Artagnan, junto a uma janela, aconselha o filho.
Os conselhos do paiCapítulo I
Na escadaria de Tréville, d’Artagnan esbarra em Athos, que leva a mão ao ombro ferido.
O ombro de AthosNa escadaria do senhor de Tréville
Os quatro mosqueteiros lutam contra os guardas do Cardeal num terreno aberto.
Contra os guardas do CardealO duelo dos Carmes-Déchaux
Luís XIII, de pé, conversa com o senhor de Tréville.
Luís XIII e TrévilleO Rei e o capitão dos mosqueteiros
Damas e cavalheiros em trajes de gala dançam sob lustres.
O balé da MerlaisonOs agulhetes voltam ao ombro da Rainha
D’Artagnan diante do cardeal de Richelieu, junto a uma grande lareira.
Diante do CardealD’Artagnan e Richelieu
Athos sai cambaleando da adega de uma estalagem diante de d’Artagnan.
Athos sai da adegaDepois de dias trancado com o vinho do estalajadeiro
Os mosqueteiros, de pé sobre os destroços do bastião, agitam os chapéus.
O bastião Saint-GervaisA aposta ganha
Uma mulher lê uma carta à luz de uma vela, junto à lareira.
A carta roubadaUma intriga de alcova